Dona Assunta era especial para mim. Avó na concepção mais caricata da palavra, tão rígida com os filhos e tão doce com os netos, os queridinhos. Mãos mágicas nas receitas tradicionais, rodavam a manivela do moedor de café e o cheiro se espalhava e preenchia nossos espaços de brincadeiras sem fim. No domingo caminhávamos até o cemitério onde jaziam dois filhos, e na rotina do carinho permanente e sem limites trocava flores e limpava os porta-retratos enquanto eu brincava entre os túmulos e jazigos, alheio ao sofrimento disfarçado pelos movimentos rotineiros.
Companheira, definhou depois que meu avô se foi e, não sendo mais ela, eu não dava conta de vê-la. Já sentia a perda, mas eu não imaginava que ainda tinha tanto a sentir.
Tchau vó.